Artigo

[Mandiberg, Michael (Org.) (2012). The Social Media Reader). Nova Iorque: New York University Press]

Em resumo, Michael Mandiberg explora nesta edição uma coleção de obras de autores eminentes no campo da cultura digital, os quais analisam a ascensão da cultura digital participativa e a consequente indefinição dos limites deste fenómeno. Com 289 páginas, o PDF Leitor de Media Social está disponível no repositório de código aberto ”Creative Commons”, licenciado no “Archive.org”, desde 18 de Dezembro de 2012, (NYU Press, Nova York).

Em resumo, Michael Mandiberg explora nesta edição uma coleção de obras de autores eminentes no campo da cultura digital, os quais analisam a ascensão da cultura digital participativa e a consequente indefinição dos limites deste fenómeno. Com 289 páginas, o PDF Leitor de Media Social está disponível no repositório de código aberto ”Creative Commons”, licenciado no “Archive.org”, desde 18 de Dezembro de 2012, (NYU Press, Nova York).
É um facto que, desde o surgimento da imprensa, as inovações tecnológicas têm permitido a divulgação de diferentes formas de comunicação, estendendo o conhecimento para o público em geral. Entretanto, afigura-se que o impacto cultural provocado pelos digitais recaiu, inicialmente, nos leitores de media sociais, pelo facto de estes terem sido os primeiros a abordar essa transformação contemporânea provocada pela Internet.
Neste sentido, o autor refere que o objetivo deste livro consiste em apresentar os diferentes termos utilizados para descrever este fenómeno (media social). O autor considera ainda que os investigadores e os seus estudos dos media articulam o público e o processo de produção colaborativa; explica este fenómeno como um processo orientado para a programação computadorizada via Web 2.0; expõe as regras de divulgação, e apresenta estudos focados na convergência cultural da produção de media. Entretanto, para o autor, a expressão “media social” é entendida como um termo bastante amplo que pode abranger as diversas denominações dos respetivos termos, preservando-os e respeitando-os.
O forte envolvimento de académicos, em geral, intrigados com a invasão da Internet, revela que existem diferentes abordagens para se estudar este mesmo fenómeno. A título de exemplo apresenta-se, a seguir, o relato de Mandiberg sobre os leitores de media social.
Este estudo divide-se em seis temáticas, conforme a estrutura do livro: "mechanisms”, "sociality", "humor", "money", "law” and labour”. Nele procura-se extrair, dos diversos autores, algo em comum referente a uma questão: se os media sociais beneficiam a democracia, cultura, direito, trabalho e a expressão criativa, conforme postula Mandiberg 2012, (p. 13-232).


Mechanisms – Para Jay Rosen, o fenómeno dos “media” constitui um processo que articula as tecnologias e o público produtor e consumidor de media. Siva Vaidhyanathan reforça que este meio de distribuição de cultura e bens é económico, via repositórios de código aberto. Por exemplo, o “Open Source Ware” do MIT consiste numa plataforma que disponibiliza um espaço a produtores de media social, com direitos autorais.
Similarmente Jay Rosen e Yochai Benkler referem, como exemplo de um fenómeno colaborativo, a “Wikipédia”, embora este processo se tenha regido por regras implícitas, possibilitando, assim, mais democracia. Adicionalmente, possibilitou que se ponderasse sobre as regras e políticas de acesso, cuja questão central reside nas práticas sociais. Esta construção social só é possível mediante as técnicas descritas por Tim O'Reilly.
No tópico “what is web 2.0?” O'Reilly refere que este fenómeno constitui um processo orientado para a programação computadorizada, o qual permite que um conjunto de sites baseados num servidor mova dados no seu seio. O autor analisa termos técnicos e ferramentas na construção de plataformas em colaboração.


Sociality - Danah Boyd explica as dinâmicas de participação dos produtores nos media, e as implicações de se estar cotidianamente conectado em rede. Anderson refere que a facilidade de acesso à informação jornalística está a mudar a perceção do público quanto à democracia, e à urgência de educar as pessoas para os media, na busca por uma leitura mais crítica e democrática. Com essa ideia em mente, faz sentido recordar os esforços da UNESCO e da Europa, em torno da educação para a literacia dos media.


Humor - Gabriella Coleman descreve as brincadeiras que permeiam o “humor”: os chatrooms e placas de imagem (screen shots) proporcionados pelo aparecimento da Internet, entre as quais o MIT foi pioneiro. Para Davson, a acessibilidade, adaptabilidade, transferibilidade, a criatividade e a insegurança marcam uma divisão na Internet, ocasionada pelo uso exorcista da tecnologia.


Money - Chris Anderson descreve uma profissão alternativa para o mercado de massas, para além de apresentar a vantagem de distribuição de saberes. Este é um campo que oferece perspetivas no campo do marketing, exigindo investimentos, e em que a criatividade prevalece.


Law - A análise aponta como a criatividade está a ser limitada pela lei, e denota a necessidade de liberdade cultural.Laurence Lessing descreve como a lei reage aos impactos da criação dos media digitais. Menciona que as leis de direitos autorais estão em desacordo com a produção de cultura digital. Por conseguinte, chama a atenção para as reformas legais no domínio de publicação. “The Creative Commons” é uma organização, fundada por Lessing, que permite a publicação da cultura digital, na qual se preserva os direitos autorais do produtor. É referido que essa nova forma de conceber os direitos do autor, no âmbito das TICs, analisa diferentemente o “Millenium Digital Copyright Act”, tratando essas novas formas de expressão como uma forma de transmissão e partilha do saber.
Neste sentido, vale lembrar que possuir cultura digital vai além de saber aceder a e filtrar conteúdos, pois implica também conhecer os meios de divulgação (PIERRY LEVY, 2012).
Adicionalmente, Mandiberg (p. 187) refere que o seu estudo de caso identificou desafios quanto ao trabalho em colaboração, e limitações no uso da cultura digital por parte dos académicos. Doutorandos que responderam a uma pesquisa revelaram que, embora estejam dispostos a usar publicações on-line, ainda não têm hábitos de ler um artigo ou um relatório na web. Além disso, apesar de serem publicados on-line, os arquivos da publicação ainda têm de surgir em suporte de papel, para serem avaliados e considerados sérios. Com efeito, grande parte da produção e publicação digital académica permanece inexplorada.


Labor – Henry Jenkins (p. 203-232), direciona os seus estudos para as novas formas de produção cultural, revelando a ocorrência da convergência entre produtores e público, principalmente no âmbito da indústria produtora de comunicação. Adicionalmente, faz referência ao filme “Guerra nas Estrelas”, como uma das maiores franquias da produção cultural. Ademais, observa inovações no âmbito da cultura digital, incluindo as universidades. Nos diversos casos, o objetivo comum consiste em promover a produção e a cultura digital.


Ao analisar-se a extraordinária obra de Mandiberg, evidencia-se que o fenómeno dos media tem levado os maiores estudiosos da área a investigarem integralmente a teorização do social, no âmbito dos media digitais. Por um lado, consideram-se os leitores como primeiro público que apreende o manancial de informações que promovem a mobilidade na construção do capital social e da cultura digital (CASTELLS, 2003 e 2007 e BOLTANSKI e CHIAPELLO, 2009). Por outro, existe a consequência da convergência cultural na indústria mediática, um fenómeno que requer mais exploração.
Em ambos os casos, a questão reside na cultura digital, pelo facto de que ser dotado de tal cultura implica não só saber filtrar, ler e criticar de forma democrática os conteúdos, e aceder-lhes, mas também conhecer as normas e regras de publicação e de acesso aos repositórios de código aberto, para que se possam preservar os direitos.
Apesar do desapontamento do autor com o facto de os doutorandos não estarem preparados para leituras digitais, vale mencionar o impacto de conceituadas universidades que recorrem intensivamente a conteúdos de podcasts nas lições, como por exemplo: Standford e Open University (50 milhões de downloads). Outras universidades dignas de consideração quanto a este aspeto são MIT, Berkeley, Yale e Oxford.
Com essa ideia em mente, reforça-se a necessidade de as universidades comunicarem digitalmente na formação social. Como tal, a alternativa consiste, conforme Mandiberg, em acreditar na mudança, investir em debates mais sérios, e produzir em coletividade, permitindo que todos contribuam, tanto administradores como professores, e também estudantes, conforme demonstram estudos adicionais da Open University, via projeto Steeple.

Referência bibliográficas
BOLTANSKI; CHIAPELLO. O novo espírito do capitalismo, 2009. São Paulo: Martins
CASTELLS, M. A Galáxia Internent: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. 252 p.
CASTELLS, M. Comunicación móvil y sociedad. Una perspectiva global, Madrid, 2007. Disponível em: <http://www.eumed.net/libros/2007c/ 312/indice.htm>. Acesso em: 8 de Janeiro de 2012.
LEVY, P. Especialista em cibercultura, 2012. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/cultura. Acesso em: 19 Dezembro 2012.
MANDIBERG, M. The Social Media Reader. New York: NYU Press, 2012. 298 p.
STANDFORD e Open University superam 50 milhões de downloads. Disponível em: <http://macmagazine.com.br/2012/04/03/stanford-e-open>. Acesso em: 20 Dezembro 2012.
STEEPLE - A JISC funded UK HE Community Project – iTunes U. Disponível em: <http://steeple.org.uk/wiki/ITunesU>. Acesso em: 02 Dezembro 2012.
UNESCO. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, 1995. Disponível em: <http://www.unesco.org/new/en/>. Acesso em: 12 Novembro 2012.
 

Marí Rosa de Oliveira

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